Mais Médicos: um terço dos brasileiros inscritos não se apresenta para trabalhar

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Reportagem da DW revela que um terço dos brasileiros inscritos no programa Mais Médicos ainda não se apresentou para trabalhar. Leia alguns trechos:

A médica de família Marina Abreu admite que não conhecia a real complexidade do Brasil até começar a trabalhar como tutora de coordenadores do programa Mais Médicos. No Norte do país, ela conheceu locais que nunca tinham recebido um médico, aonde só se pode chegar após longas viagens em barcos com furos e sem assentos. Ela se emociona ao falar sobre a situação das comunidades que voltaram a ficar sem atendimento após a saída dos profissionais cubanos no último mês.

“O programa vinha avançando e tinha passado da fase de novidade pela chegada dos médicos. Havia projetos em andamento e uma forte adesão aos tratamentos pela população, que criou vínculos com os profissionais. Estavam sendo feitos procedimentos como a colocação de DIU, que é simples, mas não era feito antes por uma série de limitações. O médico já conhecia aquela população e conseguia fazer um trabalho específico.”

Visando à reposição dos profissionais cubanos, o governo brasileiro abriu um edital para os médicos interessados em participar do programa. Na última sexta-feira (14/12), acabaria o prazo para que os 8.411 inscritos se apresentassem nos novos postos de trabalho. Entretanto, 2.520 (cerca de 30%) não compareceram. A situação levou o Ministério da Saúde a prorrogar para a próxima terça-feira a data limite para início das atividades.

Outras 106 vagas do edital sequer tiveram interessados. Elas correspondem a 31 localidades, sendo 23 municípios do Amazonas, Pará, Piauí e Rondônia, além de oito Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), unidades de responsabilidade sanitária federal correspondentes a uma ou mais terras indígenas.

(…)

As áreas contempladas pelo Mais Médicos na região Norte apresentam um perfil populacional heterogêneo. Além dos povos indígenas, há ribeirinhos, quilombolas e também muitas comunidades de agricultores. No sul do Pará, está localizada a comunidade Vila Estrela, no município de Cumaru do Norte, onde trabalha o enfermeiro Valdir dos Reis. Ele conta que a população local está desassistida desde a saída do médico cubano que lá estava.

“O doutor Humberto García está fazendo muita falta. Nossa unidade funciona de 7h às 11h e de 14h às 17h. Ele cumpria rigorosamente os horários, o que infelizmente não se via entre os brasileiros que passaram por aqui. Nós ficamos de sobreaviso para qualquer eventualidade, qualquer emergência que surgir no período noturno e finais de semana também. A população não precisava mais ir para outras cidades para fazer esse tipo de atendimento, porque aqui tinha.”

(…)

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